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Bom Dia! Quarta-feira, 16 de Abril de 2014

Histórico


 

O município de Pedro II está localizado na mesorregiao do Norte piauiense, na microrregiao de campo Maior a cerca de 195 Km da capital do estado, Teresina. A altitude média do município é de 550 m. Conhecido regionalmente como “a terra da opala e do artesanato” também chamada carinhosamente de “Suíça Piauiense”, Pedro II possui um clima ameno (tropical megatérmico e subúmido em torno de 18 a 28 graus centígrados), característico das regiões serranas. É o segundo município mais frio do Estado do Piauí, perdendo apenas para Paulistana.
A sede do município está localizada a 41º 27´ 28´´ de longitude Oeste a uma altitude média de 630 m, possui um relevo moderado com rochas sedimentares, destacando-se as Serras: do Pedro, da Cangalha, da Extrema, do Tetéu e das Pitombeiras.

O índice pluviométrico é de 600 mm/ano. A região central do município é um divisor natural de águas entre as bacias do Longá e do Poti. Os rios Corrente, rios dos Matos e Piracuruca são os mais importantes da primeira bacia e os rios Parafuso e Capivara os mais importantes da segunda. Todos os rios são de caráter intermitente.
Os solos do município são predominantemente de origem marinha recobertos por uma vegetação de caatinga com influência florística e algumas áreas de cerrado.
O município passou a chamar-se de Pedro II a 25 de agosto de 1855. Isso durou até mais ou menos 28 de dezembro de 1889 quando voltou a chamar-se Matões, sua denominação anterior. Tal fato deveu-se à queda do Império e a divergências locais. Em 21 de fevereiro de 1891, através do decreto nº 50 assinado pelo governador do Estado, Gabriel Ferreira, a Vila Matões foi elevada à categoria de cidade com o nome de Itamaraty. Mas novamente em 13 de julho de 1911 o governador do Estado Antonio Freire da Silva restabeleceu em definitivo a denominação de Pedro II, carinhosa homenagem ao Imperador do Brasil, D. Pedro II.

A estrutura fundiária do município caracteriza-se pela predominância do latifúndio, em sua maioria improdutivos. Os proprietários de terra representam apenas 15,87%, a dos parceiros 53.89% e a dos ocupantes 30,21%.
A produ ção agrícola é suficiente para consumo da população. O extrativismos vegetal é representado pelo pó de carnaúba, amêndoas do tucum e lenha. O setor agro-industrial é também insipiente segundo o IBGE.

O município de Pedro II, primitivamente chamado de Pequizeiro, foi fundado segundo o jornal do “Piauhy”, de julho de 1883, no final do século XVIII, por João Alves Pereira, com seus irmãos e amigos, Abel Pereira dos Santos, Manoel de Castro, Domingos Pereira Dutra, Albino Pereira dos Santos e Antônio Pereira da Silva, todos de origem portuguesa, que de início, levados pelo espírito de religiosidade, ali edificaram uma pequena capela consagrada a Nossa Senhora da Conceição, fazendo vir de Portugal uma imagem da Santíssima Virgem, a quem renderam, respeitosamente o culto da Padroeira

A Cidade de Pedro II, localiza-se no topo de uma Serra no Piauí. Famosa pelo clima de montanha, a “Suíça Piauiense” é também conhecida pelas minas de opala, uma raríssima pedra semipreciosa que reflete as cores do arco–íris, fascinando as grandes joalherias internacionais. O rico artesanato de tapeçarias e redes de dormir, forte tradição do local, encanta pelo intenso colorido das peças produzidas em teares manuais, sendo assim um produto muito comercializado.
A Cidade ainda registra importantes episódios da história do Piauí, como o Movimento dos Balaios e a passagem da Coluna Prestes.

A COLUNA PRESTES EM PEDRO II

A visita no Piauí do eminente líder Luis Carlos Prestes, para cumprir compromissos políticos, sugeriu-nos reviver em breves traços outra visita que aqui fez no distante novembro de 1925, há quase sessenta e dois anos, integrando a coluna de rebeldes que viria a se tornar um dos mais marcantes episódios da primeira República, sob a denominação de “Coluna Prestes”.
Para Jorge Amado, em sua “Vida de Luis Carlos Preste” – Livraria Martins Editora – 1945 – a Coluna Prestes “é o maior feito militar de um povo a maior epopéia da América moderna dessa forma de vida. Um moço de gênio, general de vinte e seis anos traça no mapa os novos caminhos de uma raça e marca, com passos profundos dos seus soldados, as estradas da libertação ao Brasil”.
Dos “vinte e seis mil quilômetros cruzados de 29 de outubro de 1924 a 3 de fevereiro de 1927” um bom trecho foi ao longo do rio Parnaíba, ora do lado do Maranhão, ora do lado do Piauí, de 11 de novembro quando travou-se em Benedito Leite”

“o primeiro encontro entre os adversários, sem vantagem de 12/12/25, até fins de janeiro de 1926”, pois, no relatório do doutor Francisco Portela Parentes, juiz de Direito comissionado pelo Governado para apurar os danos causados pela Coluna, os rebeldes permaneceram até 27 de janeiro. “quando se retiraram os últimos, pelo o povoado Pimenteiras, rumo ao Ceara” (MATIAS OLYPIO – rumos e atitudes – Dep. Imp. Nac. 1956).
E, de toda essa saga, escrita com o sacrifício e o sofrimento de tantos homens, do lado dos rebeldes, como dos legalistas, e contada ia em muitas obras de aplaudidos escritores nacionais e em artigos de jornais, inclusive piauienses, extraímos algumas informações sobre o que foi a passagem da Coluna Prestes, na cidade de Pedro II.
Na verdade, a cidade serrana piauiense aparece no roteiro da Coluna, pela a razão histórica de ser uma etapa do caminho de saída do território piauiense rumo ao Estado do Ceará.
Em seu “ Depoimento para a Historia da Revolução no Piauí” – Artenova – 2ª. edição – 1975, MOISES CASTELO BRANCO explica:
“ A principal investida dos rebeldes sobre a Capital piauiense verificou-se na noite de 31 de dezembro para 1° de janeiro, com violente tiroteio de metralhadoras e fuzis a noite inteira”.
Este ataque cobria a retirada da “Coluna Prestes”. Os revoltosos já tinham reconhecidos a superioridade das forças de defesa da cidade e o grosso de suas tropas tomava o rumo do Ceará (Campo Maior – Alto Longa – Pedro II e Crateús) para internar-se no sertão do Nordeste”.
LORENÇO MOURÃO LIMA, escriba oficial de toda a longa marcha da Coluna, também relata o lance da passagem dos rebeldes pela cidade de Pedro II.
A 26 chegou a Arneiros o destacamento João Alberto, que penetrara no Ceará na altura da cidade de Ipú, na Estrada de ferro de Sobral, tendo ocupado essa cidade e as de Novas Russas, Nova Olinda e Crateús, onde entrou depois de um pequeno combate, no qual perdeu dois homens.
João Alberto interrompeu o tráfego dessa estrada de ferro, tendo ameaçado Sobral e Fortaleza.
No norte do Piauí, ocupou a cidade de Campo Maior, Altos Longa e Pedro II.
A Coluna Prestes – Marchas e Combates – LOURENÇO MOURÃO LIMA – Editoria Brasiliense –SP – 1945.
Nesta mesma obra, está reproduzido o “Relatório sobre a Marcha do Destacamento pela região do Ipú” redigido pelo próprio comandante João Alberto (págs. 590/591), dirigido ao General Miguel Costa.
“De volta hoje da missão, que me foi confiada a 2 de janeiro em natal, narro-vos o ocorrido.
A 10, ocupei a cidade de Pedro II que estava deserta em virtude da população ter temido punição (como me informaram) da maneira canalha com que o chefe político local, Cel. Tertuliano havia se portanto para conosco nos difamando.
A 13 ocupei de surpresa a cidade de Ipú depois de uma marcha rápida descendo a serra da Ibiapaba, à noite.
O Senador Matias Olympio, testemunha presencial de todo aquele episódio, pois à época, governava o Piauí, narra em seu livro “Rumos e Atitudes” (Imprensa Oficial – RJ - 1956).
O capitão Otacílio (1) daqui marchou com sua força a pé em busca da coluna João Alberto, que rumou para o Ceará, passando pelos municípios piauienses de Campo Maior e Pedro II. Do primeiro essencialmente criador de cavalar, arrebanhou muitos exemplares e, no segundo, encontrou-se com os negociantes coronéis Antonio Leôncio pereira Ferraz e Tertuliano Brandão Filho, exigindo do primeiro quatro contos de reis e do segundo dois contos. A casa de residência do deputado estadual Tertuliano Brandão Filho, que havia viajado para o Ipú, no Ceará, foi invadida, havendo os invasores retirando de sob o soalho do edifício, grande quantidades de moedas de prata e níquel, avaliadas em vinte contos, além de jóias e antigos objetos de prata.
E mais adiante acrescenta:
“além do Deputado Tertuliano, outros negociantes como o Sr. Cosme de Barros e um farmacêutico (2) também pegaram tributo aos invasores. Pelo interior, foram arrebanhado cavalhada e praticando as mesmas extorsões, como aconteceu na fazenda do capitão Sotero nogueira que sofreu vexações e avultados prejuízos em mercadorias, cavalos, dinheiro e estragos de moveis domésticos. (Id).
Guardamos em nosso arquivo, manuscrito que encontramos entre os pertences do Cel. Domingos Mourão Filho, que é a minuta de uma petição inicial de ação de justificação judicial proposta pelo Cel. Tertuliano Brandão Filho, para haver prejuízos sofridos Poe ele quando da passagem, em Pedro II, das tropas legalista em perseguição aos revoltosos.
Vale transcrever o documento, cujo efeito não sabemos qual tenha sido pois não nos foi dado ainda verificar se de fato a ação foi ajuizada. De qualquer forma ela revela o constrangimento que se impôs a quantos possuíam  algum bem, especialmente propriedade rural, na rota dos rebeldes e dos seus perseguidores.
Pedro II ainda mantém o sossego provinciano em suas praças e ruas, de onde se avistam belos horizontes montanhosos e convidam o visitante para caminhadas sob agradável temperatura.
Poemas de alguns filhos da terra:

“Falar de Pedro II”

“Falar de Pedro II é deitar-se numa rede de linha, rede artesanal brotada das mãos mágicas de suas rendeiras. É armar esta rede em um quintal de baixo de um frondoso pé de umbu–cajá. É desfrutar do nécta da cachaça serrana, esquecida desde faz é tempo numa garrafa com gengibre. E, só para completar o paraíso, apimentar o ambiente com as conversas paralelas com os amigos e entre um trago e outro, entre um torresmo e uma colher de farofa, deixar a vida se espichar pela tarde toda. Que é para isso que a vida serve: para ser espichada por tardes e tardes, embevecida por lufadas de ar fresco, por ondas de ventos que trazem zoadas distantes. Gargalhadas das doceiras, assobio de meninote, latido de vira–lata, cantiga da meninada, zumbido de abelha, de besouro. Falar de Pedro II é ficar ali papeando antes de ser tragado pelo manto da noite, todo bordado de estrela, e ir-se, pelas mãos de Orfeu, habitar outros mundos”.

(Ernâni Getirana)

“Iluminados”

“Iluminados são aqueles nunca se impacientam diante dos dissabores da vida nem se envaidecem com o esplendor da fortuna; são os que choram sem fazer da lágrima o clamor do desespero; são os que sorriem sem desdém e fazem do riso o acalento da alma; são os que lutam sem pensar na morte, como se a vida fosse a eternidade; são os que compreendem a fraqueza dos outros, na medida de suas próprias fraquezas; são os que não odeiam nem se zangam, mesmo em face das maiores provocações; são os que encontram na coragem o vigor supremo para o exercício da tolerância; são os que se comprazem a simplicidade, embora dotados de grandeza e importância; são os que nunca se intimidam na defesa da honra e da verdade; são os que prezam a vida menos que a dignidade; são os que anoitecem sem mágoas e amanhecem sorrindo; são os que não invejam senão a virtude; são os que mandam sem empáfia e ordenam sem humilhar; são os que corrigem sem menosprezo; são os que fazem da solidão motivos para refletir e não momentos de ruminar amarguras; são os que tiram lição da tristeza para o alcance da alegria; são os que toleram sem covardia e rompem sem violência; são os que punem sem ira e disciplinam sem rancor. São os que amam a vida e o mundo, apesar dos pesares...”.

(Genuíno Sales)

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